1/27/2010 06:24:00 PM
Pê Sousa
Ao chegar, Pablo encontrou o bilhete debaixo de sua carteira. Ficou vermelho, olhou para os lados, não mostrou pra ninguém.
Durante a aula, deu um jeito de acomodá-lo no meio do livro de Geografia, e, enquanto fingia prestar atenção nos mapas da página que a professora havia citado, pôde ler seu conteúdo, escrito com uma caligrafia redondinha. Trazia uma mensagem de carinho e um convite: um encontro na pracinha, às cinco da tarde, se ele quisesse namorar de verdade.
Ângela era bonitinha, ele queria. Então pensou em como responder. No intervalo, cerrado no banheiro, escreveu uma mensagem, confirmando o encontro.
Quando ela chegou, a resposta a esperava debaixo de sua carteira. Pablo olhou para trás, para as últimas carteiras buscando algo. Ângela sorria, confirmando. Pablo sorriu também, feliz. Não se conteve e olhou outras vezes, sempre recebendo de volta o olhar de Ângela, que sorria para ele.
Uma euforia começou a invadi-lo, e Pablo sentia uma alegria diferente, ao tempo que experimentava o êxtase daquele segredo, apenas dele e da garota de cabelos claros que o queria. Uma ternura começou a crescer entre eles; de repente aquela sala cheia de alunos concentrados ficou pequena diante o tamanho de sua felicidade. Ele teria um encontro, sim, um encontro de verdade. Olhou ainda muitas vezes para trás, tanto que a professora chamou sua atenção, para que prestasse atenção na aula.
A professora explicava num mapa as regiões da Terra, tema de uma pesquisa, mas seu pensamento vagava por outros lugares, desconhecidos, e, mais precisamente na promessa do amor de Ângela.
Naquela tarde, enquanto seus colegas estariam empenhados no trabalho sobre a geografia dos continentes, Pablo experimentaria algo novo, bem diferente do que vivera até então, e duvidava que algum dos seus amigos fosse capaz de entender isso.
12/01/2009 06:56:00 AM
Pê Sousa
Parece que os teus olhos se perdem num passado próximo. Lembram-se do instante de nós dois, quando vivemos juntos as tardes cinzentas sob a brisa fria daquele inverno antigo. Parece que nem faz tanto tempo assim, e eu podia-te ver sorrindo por algo tolo que eu dissera ou quando sonhávamos em construir o mundo juntos. O nosso mundo.
A mim me parece que não há mais tempo, pois não temos mais os mesmos sonhos, as mesmas quimeras ou sequer pensamos um no outro e, mesmo esses efêmeros instantes, quando de longe, apenas assim, te vejo, é como se o tempo voltasse, retrocedesse, fazendo com que meu coração disparasse um sei-lá-o-que que ainda incomoda. É, eu sei, compreendo esta loucura que me acomete, sombras de incerteza que dissipam toda minha razão, todo meu prazer...
Uma sombra triste invade meu pensar, imagens desconexas pipocando a todo instante, flashes agonizantes torturando minha memória trazem teu olhar lânguido de volta. Eles estão desconcertados, hesitantes, e sem me encarar miram um dia que lá para trás ficou. E sei exatamente o que os teus olhos veem.
Parece que foi ontem. Ainda posso sentir o cheiro de todas as coisas que fizeram parte deste ontem, e é como se me pudesse ver repetindo aos cantos que eu não te amo, quando, na verdade, tudo é engodo. Mas teus olhos não me enxergavam mais. Estavam vazios, perdidos no espaço diante de nós, e apenas pude sentir a dor de cada palavra tua me dizendo que é tarde, tarde demais porque tudo o que eu sentia por você, as muitas noites em que esperei que simplesmente me dissesse “te quero” e nada foi dito mitigaram pouco a pouco todo aquele encanto que nasceu do improvável. E não posso negar; te amar me consumiu nestes dias de inverno, me fez chorar, sem entender como um sentimento assim pôde não ser notado, ignorado, tão à vista que estava, porque você não soube me olhar.
Agora tudo foi posto para fora, todo este afeto chorado na minha solidão, as minhas mãos que continuaram frias sem o toque das tuas, tudo isso ruiu com meus idílios, e me entenda, não quero mais revivificá-los. Me perdoe Pablo, mas não posso mais voltar atrás, ainda que possa ver o que teus olhos me dizem de forma tão óbvia, desse amor que ainda levas em teu peito. Só posso dizer adeus.
Apenas em mim tudo isso ainda é. E parece que nem os teus olhos podem negar isso...
11/07/2009 05:00:00 PM
Pê Sousa
Em todas as vezes que eu estiver triste e solitário por tua ausência,
que eu me lembre do princípio matemático
de que a menor distância entre duas pessoas que se amam
é a velocidade de um pensamento e assim poderei estar contigo sempre e sempre.
Em cada vez que subitamente insurgir de mim a vontade constante de estar contigo de modo exclusivo,
que eu entenda que a vida não é um "mar de rosas"
onde tudo é apenas alegria e perfeição.
Afinal, a vida também é composta de outras áreas: faculdade, discípulas, estar-se só, Deus
e o que temos juntos ainda é suficiente para formar um "oceano de flores perfumadas"...
Em cada vez que eu me aborrecer por achar que você não está me dando tanta atenção
que eu não me esqueça de que não estou adquirindo algum produto que pode ser manipulado e sujeito à minha vontade,
mas que estou compartilhando com a mulher que amo nossas vidas, o que inclui nossas indisposições, silêncios e cansaços.
Se acontecer de entre nós haver discussão ou desentendimento,
que eu não ache que estou sempre certo, mas tenha a humildade de admitir meu erro
e ainda me lembrar que num relacionamento não podem faltar três frases mágicas:
"estou errado", "me perdoe" e "eu te amo".
Se vivo me pressionando ou me condeno se falho com o meu amor,
que eu compreenda os meus próprios deslizes e limitações e tenha em mente sempre o melhor para minha princesa, não medindo esforço para isso.
Das vezes que eu, em momentos de angústia, chorar na frente da minha amada,
que eu não fique encabulado por isso, mas compreenda que não sou de ferro,
e por isso mesmo devo alegrar-me por compartilhar com ela da minha fragilidade
e fazê-lo em seu ombro acolhedor ouvindo a melodia da sua voz ao ouvido.
E quando ela me presentear com mimos
que eu deixe essa mania de conter a felicidade que ela me causa
como se fosse feio ou falta de compostura adulto pular de alegria
como criança quando ganha doce.
E quando tiver minhas crises de chateação
que eu não desconte minha frustração nela, meu bem maior.
Afinal, seu dia-a-dia já é tão cheio
mas mesmo assim é carinho que recebo de suas mãos, enlevo que tenho de sua boca
e amor o que flui dos seus olhos e gestos.
E mesmo num dia estressante
que eu jamais deixe de retribuir quadruplamente suas ternuras e afetos.
Que em cada aniversário, seja natalício, de namoro ou casamento,
eu jamais me esqueça do lema do nosso amor, de "fazermos um ao outro sentir-se a pessoa mais importante do mundo"
revigorando assim o nosso sentimento um pelo outro.
Assim, nunca deixaremos de nos "emocionar", como diria Lya.
Nos meus excessos de exaltação à minha amada
que eu entenda que ela tem o direito de chatear-se
e querer ser, de vez em quando, uma pessoa normal, com defeitos e falhas
e não uma bonequinha de porcelana presa numa redoma, intocável.
E que eu não me decepcione com essa atitude sua, achando que ela não quer mais meu amor.
Quando os dias parecerem tão comuns e cheios de marasmo
que eu possa aguçar meu coração, e entender que não há motivos para mesmice
afinal, ao meu lado está a mulher a quem devo a minha felicidade, sorriso, Deus, a completude da vida, antes impossível.
Que eu jamais resuma meu amor na limitação do que minhas mãos podem tocar, porque meu amor é maior que toda a plenitude.
Que eu possa cativar a cada dia seu coração de menina-mulher
e mesmo não conseguindo ser um "menino-homem", eu possa ter o seu amor na minha vida
assim como tenho o retrato da sua lembrança nos meus sonhos, de onde a tiro
e a aconchego aos meus braços.
E que, por Deus, ela compreenda que não poderei dar a ela tudo o que quero, mas o que tenho dado é tudo o que possuo: o meu coração com tudo o que nele há e que já era dela faz tempo...
15/06/2005
11/07/2009 04:27:00 PM
Pê Sousa
Pensar em você é ter gostosas lembranças,
é sentir uma sensação arrebatadora
que invade o meu ser de forma nostálgica e
fascinante.
Pensar em você é nutrir um pensamento
que se perpetua a cada dia de forma mais intensa.
Pensar em você é olhar para dentro de mim
e perceber que um pedaço valioso do meu ser "partiu"...
Pensar que este partir é finito,
mesmo tendo a impressão de infinito.
É pensar em desesperança...
Mas aí penso que o laço que nos une está além
muito além do infinito.
E isto me impulsiona, me direciona a sonhar;
e que em breve nos uniremos
e então deixarei de pensar em você:
para então, viver COM você!!!
Assim, nossos pensamentos se fundirão
e se perderão no finito de quem pensa
que o amor foi feito para pensar.
No entanto estaremos envolvidos
não mais em pensamentos.
Mas em concretizações surreias
que só quem realmente ama pensa e... faz!
Por Elânia Alves
em 14/06/2007
11/07/2009 04:00:00 PM
Pê Sousa
Como um homem apaixonado,
que vê na amada seu maior desafio
eu me refaço a cada palavra tua,
Me traduzo diante dos teus enigmas.
Sua presença reluz a saudade amarga;
cada beijo teu é remédio para a longa ausência.
Tua ternura desnuda me alimenta,
teus passos me trazem o caminho,
e então enxergo, sou feliz...
11/04/2008 às 09:13
APM, aula de Adm.
10/24/2009 03:24:00 PM
Pê Sousa

São palavras acres, essas que dizes,é só olhar em volta, pois tudo está aqui.Ainda que sejam lamentos confusos,
ainda que tudo faça-nos chorar,a verdade reside em tudo que somos, em tudo que oferto.
Mas teu desejo inseguro,
tua dor que alto clama isso eu não posso ouvir,
tenho os ouvidos atentos,
mas perdidos em profundo desespero,
porque nada tenho que falar...Lágrimas escuras vertem-se ao chão frio,e o grande peso que é posto sobre nossos corações cansados
dilacera a vida que com sangue construímos,então, chorar, não é?
Não, me entendas mal, como fazes
até já não posso sentir as pontas dos teus dedospartiremos em seguida? Deixar-me-ás?
Olhe os meus olhos, veja-se neles!
Não partas assim, mas me envolva em si,
faças de mim parte tua, metade devoluta,
corpo que espera, coração que geme
Amor que pretende.
10/23/2009 06:24:00 PM
Pê Sousa

Me pergunto muitas vezes o sentido da existência. Pelo menos da minha. Há pessoas que financiam cada dia seu na néscia corrida pelo ouro, de tolo. Há pessoas que simplesmente desistiram de transformar sua realidade. Como zumbis modernos renegaram da sua vida a vontade, o desejo de marcar sua existência (lá vem eu de novo! é que ando lendo Sartre, ultimamente!) com uma história que valha a pena contar para os outros. Mas, e quanto a mim? Bem, creio que não estou em nenhum dos dois grupos. Talvez no meio-termo. Nem um, nem outro. Apenas no meio. Enquanto assisto muitas pessoas passarem pela vida vendo a vida passar, tento não me acomodar. Por outro lado, não me considero um sujeito pró-ativo, destes que "fazem acontecer". A começar pela literatura. Enquanto muitos grandes escritores marcaram gerações com uma obra piramidal, em meu caso os meus escritos vagabundos nem sequer estão à altura de uma quitinete. Por mais que o hábito quase que diário (nem sei porque) de sentar-me em frente à tela branca do meu pc (ah, a tecnologia!...) vendo o cursor piscar irritadamente, isto não foi capaz de me tornar o escritor que sempre sonhei. Em diversas ocasiões quase conseguia ver a estante abarrotada de volumes escritos por mim, uma obra que marcara gerações, assim como Nietzsche, Dostoiévski ou Garcia Márquez. Mas não. Nem um mísero folhetim, nem mesmo o tão esperado "Pasquim", que Alberto , Jairo e eu sonhamos tanto ver circulando por aí... Me contentei ao recurso quase-limitado do blog. Mas, fugindo das questões literárias ou quase, penso nela agora. Na mulher que tem enchido minha vida de encanto e som. Na jovem morena de cachos marrons que me ensina a cada dia o que é vida. É nela que posso me sentir "o tal", como se eu fosse um novo Kafka, um remanescente da geração de grandes escritores que marcaram minhas leituras. É nesta pequena criatura que tenho meu mais profundo encontro com o sentido do existir. Ao seu lado posso compreender que tudo pode ser simples, que as quimeras que enchem meu peito podem materializar-se no sentimento que me completa e redime. E é com isso que tudo é satisfação e transcendência: ao simples ato de contemplá-la à luz do dia perfeito, sua pele morena reverberando o brilho da mais perfeita poesia, que nenhuma palavra que eu diga ou escreva é capaz em si. Toda vez que você se perguntar o porquê de estar aqui, olhe para o lado. E veja quem está com você. Simple together